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Riscos biológicos no trabalho e em casa: como se prevenir

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Riscos biológicos no trabalho e em casa: como se prevenir

Com a pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19), o assunto trouxe à tona em toda parte do mundo a gravidade que o ser humano corre com os efeitos da globalização desenfreada e sem planejamento socioambiental.

Até este momento (final de março de 2020), foram contabilizadas quase 40 mil mortes no planeta em apenas três meses desde que foi descoberta na China, em 31 dezembro de 2019. E há, também, consequências negativas econômicas em todos os países, além de uma mudança radical na rotina e hábitos diários na vida das pessoas. Não há de se recusar o potencial devastador desde novo vírus.

Diante deste cenário, abrem-se novas questões sobre como os agentes biológicos podem afetar os humanos e as consequências relacionadas à saúde e bem-estar pessoal e dos que estão à nossa volta, uma vez que estamos com um estilo de vida menos saudável, mais corrido, invadindo e sujando cada vez mais o meio ambiente.

Afinal, como podemos equilibrar o desenvolvimento econômico, a tecnologia com a proteção social e ambiental?

O que são os agentes biológicos?

Agentes biológicos são todos os microrganismos como vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos com capacidade de causar doenças quando entram em contato com os seres humanos.

O que são riscos biológicos?

A definição de riscos biológicos é a possibilidade de contaminação por estes microorganismos nocivos à saúde através das vias respiratórias, conjuntiva, oral, cutânea (sobre a pele), percutânea (abaixo da pele) e mordidas de animais.

O conceito de riscos biológicos no entendimento médico vai mais além. Seguindo as similaridades entre OMS, CEE, CDC/NIH, as classes de riscos biológicos são:

  • Classe 1: são os agentes biológicos que não causam contaminação na comunidade ou em que os manipulam. Exemplos: Escherichia coli e Bacillus subtilis;
  • Classe 2: apresentam fracas ameaças para a comunidade e moderadas ao manipulador. Este é um dos tipos de riscos biológicos que há tratamento preventivo. Exemplos: bactérias – Clostridium tetani, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus .aureus; vírus – EBV, herpes; fungos – Candida albicans; parasitas – Plasmodium, Schistosoma.
  • Classe 3: possuem malefícios moderados à comunidade e grave a quem os manipulam, sendo que as lesões ou sinais clínicos são graves e nem sempre há tratamento. Como exemplos de riscos biológicos desta classe podemos citar as bactérias – Bacillus anthracis, Brucella, Chlamydia psittaci, Mycobacterium tuberculosis; vírus – hepatites B e C, HTLV 1 e 2, HIV, febre amarela, dengue; fungos – Blastomyces dermatiolis, Histoplasma; parasitos – Echinococcus, Leishmania, Toxoplasma gondii, Trypanosoma cruzi. Segundo a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o SARS-CoV-2, causador da COVID-19 se encaixa na classe 3.
  • Classe 4: nesta, são categorizados os causadores de riscos graves para a comunidade e para os que os manipulam. Não existem tratamentos e suas propagações são críticas. Por exemplo, os vírus de febres hemorrágicas.

Agora, vamos observar quais são os riscos biológicos mais comuns no dia a dia através de exemplos de doenças causadas por agentes biológicos presentes nos lugares mais comuns que frequentamos.

  • Ar condicionado

Presente em alguns lares e em boa parte das empresas e instituições públicas, o aparelho de ar condicionado nos proporciona conforto neste clima tropical. Mas, a falta de limpeza esconde inimigos invisíveis e com um alto poder de trazer-nos problemas de saúde.

Em casa, uma higienização constante realizada por profissionais competentes e uma manutenção das partes frontais acessíveis ao usuário já bastam para asseguram o bom uso do equipamento. Mas, em locais de grande circulação de pessoas, que fazem usufruto do ar condicionado de uma só vez, há legislações que obrigam o responsável a realizar a >análise de ar em ambientes climatizados.

A ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, criou a Resolução nº 9, de 16 de janeiro 2003, publicada no mesmo ano do Diário Oficial da União, que estabelece orientações técnicas sobre os padrões referenciais da qualidade do ar interior em ambientes climatizados. Esta norma indica que estabelecimentos que possuem ar condicionado, devem fazer um monitoramento do ar e um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC).

A legislação define que os parâmetros analisados sejam: se há presença fungos, a taxa de renovação do dióxido de carbono, a temperatura, umidade, velocidade do ar e poeira total. Havendo discrepância entre os valores mínimos e máximos permitidos, as empresas ou instituições devem fazer a correção.

As doenças relacionadas à condição do ar condicionado são: dores de cabeça, resfriado, irritação na garganta, nariz e olhos e infecções. Pessoas com rinite, asma e bronquite podem ter crises e em casos mais complexos podem desenvolver inclusive pneumonia.

O ar possui os principais agentes biológicos no ambiente de trabalho, em casa ou em lugares que você frequenta, portanto, é preciso ficar atento quanto à sua qualidade, além de, é claro, manter a higiene do local com limpeza frequente e o asseio por parte das pessoas – lavar as mãos, cobrir a boca com o braço ao tossir ou espirrar, evitar contato com as mucosas e evitar aproximação com pessoas doentes ou até mesmo a presença destas.

Os cuidados com o ar ambiente devem ser redobrados a partir de agora com o aparecimento do SARS-CoV-2.

  • Bebedouros

Assim como ar, a água dos bebedouros deve ter uma atenção especial. Seus riscos físico-químicos e biológicos são enormes, uma vez que água é o principal elemento para a vida e os agentes causadores de cólera, febre tifoide, hepatite A, rotavírus e parasitose a utiliza como forma de chegar até o corpo humano.

Empresas devem realizar a >análise da potabilidade da água afim de garantir que a mesma é própria para consumo humano e que esteja dentro da Portaria de Consolidação nº 5, de 28 de Setembro de 2017 – Anexo XX – Padrão de Potabilidade para Consumo Humano (Portaria 2914).

Caso haja contaminação, a empresa deverá fazer a limpeza ou troca de caixas d`água, canos e filtros. Em casa, não há obrigatoriedade de realizar esta análise, mas os moradores deverão observar todo o caminho da água para realizar também a troca ou limpeza de materiais.

  • Piscinas

Piscinas de clubes, academias, spas e hotéis ficam lotados em épocas de calor. Mas, você já parou para pensar no quanto aquela água pode estar suja, mesmo límpida? Pois é, estes estabelecimentos devem seguir a ABNT NBR 10818:01/2016, com o objetivo de garantir que os clientes e sócios a utilizem com total segurança.

A análise de piscinas é capaz de identificar:

  • Staphylococcus Aureos que são causadores de pneumonia, infecções urinárias e ósseas e septicemia;
  • Pseudomonas Aeruginosa que podem infectar o sistema urinário, ósseo, respiratório gastrointestinal e pele;
  • Candida Albicans que é o fungo causador da candidíase que afeta, principalmente, os órgãos genitais e boca;
  • Bactérias heterotróficas que originam doenças como a sífilis, leptospirose, gonorreia e cólera.
  • Outros fatores são mensurados como a turbidez, pH, concentração de cloro, teor de sólidos, alcalinidade total, dureza e metais.

A presença ou quantidade acima ou abaixo dos valores de todos os elementos citados, podem ser nocivos à saúde humana. É seu papel como usuário cobrar dos responsáveis se a vistoria está sendo feita por um laboratório certificado.

  • Poços Artesianos

Poços artesianos e semiartesianos são ótimas opções para quem deseja economizar na conta de água, quem sofre com escassez de chuvas ou para pessoas que moram em locais com pouco ou nenhum abastecimento público.

Mas, a utilização de águas subterrâneas para consumo próprio ou em empresas não deve ser feita sem uma análise prévia da potabilidade, pois, pode estar contaminada com alguma substância nociva entre o solo e subsolo (metais e efluentes, por exemplo). Algumas doenças como a gastroenterite, diarreia, cólera, disenteria bacilar, febre tifoide e paratifoide, hepatite A e E, poliomielite e disenteria amebiana podem ser causadas com facilidade caso a água esteja imprópria.

Há resoluções brasileiras que determinam como deve ser o procedimento para a devida utilização deste recurso: projeto técnico, licença de perfuração solicitada ao IGAM, teste de vazão, solicitação de outorga hídrica e uma análise da água com um laboratório ambiental.

Com a análise, o proprietário ou a empresa verificará se é possível >tratar a água do poço e instalar um dosador de cloro automático, a qual irá garantir a saúde dos usuários e diminuir os riscos ocupacionais biológicos caso a água seja distribuída entre os colaboradores.

  • Efluentes

O nível de saneamento básico no Brasil está entre os piores do mundo. Apenas 51,9% da população possui acesso, segundo dados do Instituto Trata BrasilUnicef e Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além do olhar do poder público para esta questão e a educação socioambiental, as empresas devem ficar atentas ao lançamento de efluentes domésticos e industriais nos corpos d´água, haja vista que o país possui legislações específicas e pesadas.

As doenças mais comuns causadas em pessoas com acesso direto a efluentes são: cólera, hepatite A, leptospirose, febre tifoide, ascaridíase ou lombriga, amebíase ou giardíase.

As resoluões para estes tipos de problemas seriam um investimento maior do poder público, instalação de fossas sépticas e >tratamento dos efluentes domésticos e industriais.

  • Riscos biológicos nos banheiros

Em tempos de pandemia, o cuidado com os banheiros deve ser ampliado, principalmente, em organizações.

O banheiro traz riscos de contágio enormes se não bem cuidado. As doenças prováveis causadas por agentes infecciosos, principalmente em banheiros coletivos são a diarreia, hepatite A, herpes e até HPV.

Você pode conferir dicas de como manter os cuidados ao usar banheiros coletivos neste link e ao limpar os banheiros neste link.

 

  • Cozinhas

Comer fora pode ser uma maneira fácil e rápida. Mas, nós nunca observamos como a nossa comida é preparada. A beleza e o cheiro podem esconder todo tipo de microorganismos. Nem mesmo em casa não estamos cem porcento protegidos.

Para certificar, a bancada, mesa, pia, chão, revestimentos e eletrodomésticos devem ser constantemente limpa com materiais próprios. Dê preferência para utensílios que não acumulam fungos e tome cuidados ao preparar e armazenas alimentos. Já as empresas do ramo alimentício devem fornecedor EPI´s, seguindo as regras da Vigilância Sanitária.

Confira mais dicas de limpeza de cozinhas neste link e cuidados com os alimentos neste link.

  • Transporte Público

Ônibus, metrôs, trens urbanos, carros particulares por aplicativos, táxis, mototáxis e aviões são alternativas de transporte de grande parte dos brasileiros e também utilizados como forma de transportes pelos vírus e bactérias.

Para evitar contaminações, lave bem as mãos ao sair e ao chegar em casa ou no estabelecimento, porte em sua bolsa álcool em gel, não leve as mãos ao rosto, havendo janelas abertas fique o mais próximo delas, limpe objetos pessoais, mantenha distância de outras pessoas pelo menos um metro e se perceber que está com algum sintoma de doença transmissível por via orais, evite usar o transporte público ou utilize máscara para proteger os demais usuários.

Mesmo quando houver uma vacina disponível para o novo coronavírus, estes hábitos devem continuar, pois, há vários tipos de patógenos microbiológicos com potencial infeccioso nestes meios.

  • Riscos biológicos na área da saúde

Ultimamente, vimos na mídia a comunidade homenageando os profissionais de saúde. E bem merecido. Os riscos biológicos na enfermagem e na medicina em geral são potencializados, se comparado ao cotidiano da vida das pessoas.

Profissionais da saúde estão mais expostos também à radiação e a acidentes com objetos perfuro-cortantes. Estes trabalhadores devem possuir EPI´s (equipamentos de proteção individual) compatíveis com o exercício da função e seguirem normas para garantir a biossegurança hospitalar.

A segurança do trabalho destes estes profissionais reflete diretamente na sociedade, portanto, devemos cobrar do poder público ou administração do local o fornecimento de materiais e fiscalizarmos o seu uso nestas atividades essenciais.

A informação salva vidas. Em nosso blog há diversas matérias sobre meio ambiente para você ler e compartilhar. Acesse: www.terraanalises.com/blog.

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Por Rangel Gomes

Imagens: Adobe Stock



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